SFC: Deus É Meu Camarada - Resenha

"Ele tem 30 anos de idade e um emprego medíocre só para pagar as contas. Sua vida está estacionada. Um dia, e sem qualquer motivo aparente, Deus começa a falar com ele. Falar, trocar ideias, bater boca, alfinetar, aconselhar, tudo sem a menos cerimônia."

E esta é a sinopse de Deus É Meu Camarada...

Deus É Meu Camarada, de Cyril Massarotto, é um romance simples, curto, sem muitos rodeios, e não religioso - apenar da premissa -, que aborda a relação do homem com Deus. Aqui vemos um cara normal, cujo nome não foi revelado pelo autor em momento algum do livro, que vivia lá sua vidinha normal e mixuruca até encontrar Deus.

Na verdade, é Deus quem o encontra. E a partir desse momento, sua vida começa a mudar. Mas não começa a mudar de uma hora pra outra não, senhoras. Deus não estalou os dedos e produziu um milagre imediato na vida do cara.

De fato, o livro é dividido em anos. Os capítulos são anuais. Então, é aos poucos que o tal carinha vai recebendo os aconselhamentos divinos, e é aos poucos que sua vida vai mudando pra melhor.

Só que nem tudo são flores. A vida não é feita só de coisas boas. E não é só porque nos sentimos amigos íntimos de Deus que tudo vai dar sempre certo. Não é porque somos amigos de Deus que a vida deixará de seguir seu ciclo, por exemplo.

E é assim que acontece uma tragédia na vida desse cara. E é assim que ele se revolta com Deus. Ele culpou Deus por deixar que as coisas acontecessem. Culpou Deus por tê-lo enganado. Culpou Deus por ter se feito de amigo, enquanto o apunhalava pelas costas.

E não é assim mesmo que acontece com todos nós? E não é por culpar Deus por todas as catástrofes naturais da vida, ou por todo o mal da humanidade, que existe muito ateu por aí? - só uma reflexão, isso não é uma crítica.

Enfim, como eu ia dizendo... Este é um romance simples, por vezes engraçado, por vezes emocionante, que reflete o relacionamento do homem com o divino.

E, nesta narração (em primeira pessoa, diga-se de passagem), a gente acaba se vendo em certas atitudes do carinha em questão - deve ser por isso que ele não tem nome. De repente, fosse mesmo intenção do autor colocar cada leitor no lugar do personagem.

Aqui encontramos abordagens do tipo:

1. A desmistificação da seriedade divina - já pararam pra pensar que, ao contrário do modelo imaginário que fazemos de Deus, Ele pode ser um Ser bem engraçadinho, ao invés daquele velho turrão que a maioria de nós imagina?
2. O fato de nos sentirmos abandonados por Deus quando tudo vai mal em nossas vidas;
3. A condição amorosa de Deus - Sim, Deus É Amor:
O nascimento do Amor Me fez Existir e Minha Existência fez nascer o Amor."
3. A relatividade do bem e do mal - o que é o mal, afinal de contas? O que é ruim para nós, humanos, o é também para Deus?
5. A vergonha que sentimos de Deus  - por atos que praticamos e que temos certeza de que Ele está olhando. Isso acontece comigo ainda, hein??
6. O fato de acharmos que Deus não está nem aí para nossos sofrimentos - embaixo, o trecho de uma discussão acalorada que Deus tem com o homem:
Sabe por que Eu sei tudo de vocês? (...) Sei tudo porque vivo tudo ao mesmo tempo que vocês, entende? Eu sou vocês, sou cada um de vocês! Eu sozinho passei por todos os sofrimentos dos Homens, de todos os Homens! (...) Vou explicar: neste exato instante, neste momento, eu me chamo Rabith, tenho 11 anos e estou morrendo de fome na minha aldeia, onde já vi muitos outros morrerem antes de mim. Sei o que me espera e faço tudo para aguentar, mas é difícil demais, há semanas que não consigo ficar de pé, fico deitado e as escaras furam minha pele. Minha mãe nem chora mais por mim, de tanto que já chorou pelos meus irmãos e irmãs que se foram antes. (...) Neste preciso instante, neste segundo, me chamo François, tenho 90 anos e nenhuma visita há mais de oito anos, além da enfermeira. No meu caso, não é a barriga que está vazia, é o coração..."
Sim... Deus está em nós...

E assim que eu, Adna, termino esta resenha.

Se recomendo o livro? Ora, se eu mesmo já estou com vontade de relê-lo neste preciso momento... Pra mim, este foi um compilamento romanceado de outro livro que até hoje é considerado como uma das melhores leituras de minha vida: o Conversando com Deus I. 

Recomendo fortemente pra todo mundo!

Ficha Técnica:

Livro: Deus é Meu Camarada
Autora: Cyril Massarotto
Páginas: 228 - minha versão é pocket.
Ano de Publicação: 2008. Traduzido para o português em 2011
Gênero: Romance
Editora: Ponto de Leitura
Comprei em: Submarino
Preço: R$ 11,35
Estrelas: 5, pela mensagem...
Indicação: para todo mundo.

Abraços e Beijos!

Adna Maria.

4 comentários

  1. Gente, como eu chorei com esse livro... nas partes boas e nas partes ruins da vida do protagonista. rsrs Me envolvi bastante com a história, como sempre!
    Sobre a abordagem 1.. sabe que eu comecei a ver Deus como um amigo a partir das músicas do Rosa de Saron (conhece né?!)? Porque eles tratam Deus como realmente um amigo, e não como um ser todo poderoso, cheio de não me toques, que está lá em cima somente para nos castigar. Acho que eles me ajudaram bastante nesse processo de amizade com Deus.
    Sobre a abordagem 3.. e até onde o mal é realmente mal para nós? Não seria uma coisa boa no final? O mal muitas vezes pode trazer o bem...
    Abordagem 5.. acho que minha vergonha de Deus já passou um pouco hahahaha (sem vergonha). Só quando acontecem algumas situações de não ajuda ao próximo... depois eu fico mesmo me martirizando.
    Abordagem 6... chorei muito lendo essa parte.
    Beijooooo... amei a resenha!!

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    1. Dani, foram "A Cabana" e "Conversando com Deus I" que mudaram meus paradigmas sobre Deus (e olha que antes de ler os dois, eu já tava virando assim, uma agnóstica não declarada, justamente porque não conseguia conceber um Deus tal como as pessoas por aí pintam - costumo dizer sempre: ainda bem que Deus não vê, não pensa, não sente, como nós).
      Achei algumas partes realmente emocionantes, mas não chorei tanto quanto você (por isso digo que acho que tu gostou mais que eu... kkkkk).
      Também me senti muito mal na abordagem 6. Me senti na pele das pessoas...

      Obrigaaadaaa, Danii!!

      Beijoooss!!

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  2. nossa Adna, não sabia que esse livro era assim, na vdd nem sabia da existência dele. Me identifiquei muito, mesmo pq, deve ter várias coisas nele (no livro) que já aconteceu com a gente ou que ainda vai acontecer. Abandono, vergonha, rebeldia quando a gente se volta contra Deus pq acha que ele é o culpado por algumas coisas ruins que as vezes nos acontece... etc.
    gostei muito. Vai entrar pra minha wishlist...
    bjs
    quatroestacoes.blog.br

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    1. Verdade, Danny...
      O livro fala de tudo isso de forma leve e simples... Leia siiimm!!!
      Beijoooss!!!

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