Inspiração do Dia: Desatinos de Uma Frustração... E Agora, José?


Quando era criança, eu li o que convencionei chamar de "meu encontro com Drummond de Andrade" (Mentira! Inventei isso agora!), num hospital aqui de Recife. 

Apesar de não saber exatamente o que o Poeta (esse fingidor) queria dizer, com 9 ou 10 anos de idade já fiquei com medo daquele hospital. Afinal... "ô, poeminha mórbido da gota serena!"

Só que a morbidez do tal poema me marcou de forma tão profunda que até hoje... aanos luzes depois... quando estou meio atribulada pelas dificuldades da vida (ou mesmo pra não me deixar levar por coisas tão levianas quanto me achar melhor ser humano do que um pedinte de rua), além de lembrar das citações...
1. No fim sempre dá certo... Se ainda não deu certo, é porque não chegou o fim." - Fernando Sabino.
2. O final de tudo é a morte." - Colegas do Ensino Médio.
... Eu lembro de... (grifei as partes que mais me tocam)

3. E agora, José?" - Carlos Drummond de Andrade.
Retirada da internet
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
E agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
E agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse...
Se você gemesse...
Se você tocasse
a valsa vienense...
Se você dormisse...
Se você cansasse...
Se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
José, para onde?
Em meus momentos de reflexão, fico pensando... "José, para onde?"
É tipo: Para onde estamos indo? 
Vale a pena tanto orgulho? 
É mesmo interessante que troquemos nossa paz de espírito por dinheiro? 
Em quê, exatamente, o Poder vai acrescentar em nossa vida quando partirmos dessa pra melhor? 
Por quê não nos concentrarmos em viver as coisas que nos fazem mais felizes, enquanto estamos por aqui?
Qual a importância de tentarmos ser melhores que o outro, quando já estivermos no além?
E agora, José? E agora, o orgulho? E agora, o preconceito? E agora, o dinheiro? E agora, a soberba?
E agora?

Abraços e Beijos!

Adna Maria.
Em tempo: Desculpa se o negócio ficou meio sem nexo... Mas é exatamente assim que estou hoje e o post todo reflete meus sentimentos...


2 comentários

  1. É linda... essa é minha reflexão dessa semana... Tô passando por umas coisas que realmente não sei se valem a pena serem vividas... Desânimo com tudo, sabe como é?! E o pior de tudo: dá pra mudar, mas o medo não deixa. tô meio pra baixo... aí qualquer coisa que aconteça de bom no meu dia, já me deixa pra lá de feliz rs
    Beijão

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    Respostas
    1. Ô, Dani, se sei... Acho que tô vivendo esse momento também...
      A gente devia ter mais coragem de colocar a cara à tapa, né? Afinal, a vida não é uma ilusão? kkkkk
      Tô tentando mudar aos poucos... eu acho. rsrs
      Beijoosss

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