SFC: A Emparedada da Rua Nova - Resenha!

E estava eu lá na Livraria Cultura, procurando o presente de aniversário que ganharia do meu amor quando, de repente, dou de cara com A Emparedada da Rua Nova.


E eu vou confessar que não sabia da existência desse livro, nem dessa minissérie (Amores Perfeitos, da Rede Globo - adaptação da obra de Vilela)... 
É... Não diria que sou muito de televisão...  
O que me chamou atenção de verdade no livro, quando na livraria, foi saber que ele tinha como cenário a Rua Nova... A nossa Rua Nova Recifense. Agora me diz tu? Como não trazer tal preciosidade para casa? Pois então... Trouxe.

A Emparedada da Rua Nova é um romance que nos faz conhecer  uma célula especial da sociedade recifense do século XIX. A trama se passa em 1864 e é toda construída com base num misterioso cadáver, descoberto no Engenho Suaçuna (é, na época era com cedilha mesmo), que suscitou todo um buchicho na comunidade.

ENGENHO SUASSUNA ANTIGAMENTE E ATUALMENTE
Fotos retiradas do site:
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com.br/2009/06/usina-jaboatao-engenho-suassuna.html
"Quem será?" É a pergunta que inicia a publicação na Gazetilha O Jornal de Recife que, inclusive, publicou de fato esta página, fazendo muitos pensarem se a trama de Carneiro Vilela não seria uma narração de história real, quem sabe ocorrida vinte anos antes da sua narrativa. É que, além dessa prova documental do assassinato, em certos momentos do livro o autor menciona que essa historinha foi repassada para ele por uma tal de Joana, ex-escrava da família Favais, esta que é alvo de seu Romance.

Bem, para início (ou meio?) de resenha, devo dizer que o autor inicia o enredo por perto do fim. Ou seja, ele começa com o assassinato supracitado e vai descascando a cebola até nos fazer entender os mistérios do crime, bem como chegarmos ao assassino e à misteriosa vítima. Não sei se devo contar muito dessa história, mas me sinto na obrigação de dizer que o negócio do emparedamente só acontece mesmo é no final do livro. 

Agora, sem entrar muito em detalhes, o livro intenciona mostrar "o lado podre" da burguesia recifense, narrando drama, suspense, ódio, ciúme, mentira, traição (siimm, negócio é montado em cima de uma traição). Assim, ó:

  • Um sedutor irreparável, Leandro (interpretado por nada mais nada menos que Cauã Reymond, na minissérie - coisa que ouvi falar), resolve mexer com as damas casadas da sociedade e aí... 
  • Um abastado comerciante e marido traído (Jaime Favais), resolve se vingar do amante e aí... 
  • O sobrinho ambicioso resolve chantagear a própria família e aí... 
  • O amigo do sobrinho resolve ajudá-lo na investigação dos fatos e aí... 
  • O sogro honesto descobre a trama toda e aí...

Joaquim Maria Carneiro Vilela, primeiro presidente e co-fundador da Academia Pernambucana de Letras, romancista, comediógrafo, poeta, jornalista, (ou seja, ele escrevia), advogado, ilustrador e pintor paisagista, também já foi secretário do Governo, bibliotecário e juiz, bem como fundou o Jornal Oriente, a América Ilustrada e a João Fernandes. O cara era um narrador tão bom que algumas vezes eu "ouvia" - na minha mente, é claro - o próprio Cid Moreira, em chamadas como:

"Como é que o venerando e honrado Comendador, a quem - o leitor deve lembrar-se - deixamos [...] se achava agora em pé à porta da alcova do genro..."
"Que motivo o havia conduzido até ali, àquelas horas...?"

Pois é, pensei em Cid Moreira narrando o Você Decide. Ou o Globo Repórter. Ou o Fantástico. Ou qualquer outro programa jornalístico da Rede Globo.

E já que estamos falando em narrativa... esta é beeemmm extensa, sabe? Mas não é pra menos. Antes de se avolumar em livro, a obra foi publicada em folhetim, no Jornal Pequeno, entre Agosto de 1909 e Janeiro de 1912. Ou seja, coisinha tinha que ser extensa mesmo... E eu só fico pensando na agonia do povo, ansioso por ler cada publicação... Negócio foi muito longo, minha gente! 

Jornal Pequeno, onde era publicado o Romance...
Ainda com relação à narrativa, em alguns momentos a gente tem uma sensação de congela/descongela, do tipo: tá havendo uma ação - congela - o autor narra uma explicação sobre isso - descongela - a cena segue... Cara, o cara era muito bom!

Talvez por causa de sua publicação diária, os capítulos são curtíssimos. O que pra mim é muito bom, já que não tenho muita paciência para capítulos longos. Faço o tipo que fica olhando o tempo todo pra ver quantas páginas faltam para irmos ao pró-ó-xi-mooo!

Com relação à linguagem, ela faz o tipo formal e de época, mas sem ser chata. Em alguns trechos do livro o autor reproduziu a linguagem dos matutos de Jaboatão. Era um tal de: vosmecê, venda, oxente, inhôr, aribus, pru'qui... Mas essa reprodução de dialetos não ocorreu na obra toda, e explica o autor porque... 


Eu sou suspeita pra falar deste livro, né? Afinal, sou pernambucana tiete, adooroo um romance de época fundamentado em história, e pra mim foi simplesmente adorável conhecer alguns aspectos de nossa RMR de 150 anos atrás. Saber que a hoje movimentadíssima Conde da Boa Vista, naqueles tempos tinha seus moradores sentados nas calçadas, falando da vida alheia, é algo no mínimo engraçado.

Tentei achar na net as fotos da Conde da Boa Vista e da Rua Nova de antigamente, mas num consegui muita coisa não... :( Queria muito fazer um antes e um depois das duas ruas, mas...

Ficha Técnica:

Livro: A Emparedada da Rua Nova
Autor: Joaquim  Maria Carneiro Vilela
Editora: Cepe
Gênero: Romance
Edição: 5
Ano: 2013
Páginas: 518
Estrelas: Adivinha? Eu acho que são 5... hahaha
Se recomendo?? Mas é claarooo!! Está indicadíssimo em alto nível.

E assim foi...

Bom Final de Semana pra Todo Mundo!

Abraços e Beijos!

Adna Maria.

2 comentários

  1. poxa vida, tbm nao vi essa serie não. Assisto tv só a tarde e se for assistir a noite, é filme rs
    puxa que legal esse livro hein, e ainda ai de Recife?! não tem mesmo como não levar. adorei a resenha, trama bem envolvente. bjs
    quatroestacoes.blog.br

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    1. Pois é, Danny! E agora que o li, tô loucaaa pra saber como foi a minissérie, tu acredita?? rsrsrs
      Beijoosss!!

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