SFC: Admirável Mundo Novo - Finalmente a Resenha!

E finalmenteeeee estou vindo falar desse livro, depois de tantas tentativas, tantas enrolações, tantas frustrações, tantas... cês entenderam né? Eu tentei milhares de vezes fazer essa resenha em vídeo, mas simplesmente não rolou... Até que desisti e resolvi só escrever por aqui mesmo...


Admirável Mundo Novo nos conta a vida vivida num futuro beeem longínquo, em Londres, onde se pretende que tudo seja perfeito. Tudo é organizado de forma que ninguém sinta... saudade, solidão, a ausência de Deus, paixão, amor... Até a morte não é sentida.  A regra master é a felicidade pessoal. A morte aqui é tida como algo absolutamente natural. E as pessoas são bem condicionadas a pensarem nela como coisa normal, desde a infância.

Um parêntese: toda vez que eu citar "condicionamento" aqui, entendam como frases ou colocações repetidas em gravadores, por algumas centenas de vezes, até que tudo se fixe na cabeça do indivíduo... mesmo!

Mas então... No Admirável Mundo Novo, os seres humanos são desenvolvidas em laboratórios. O mesmo óvulo pode reproduzir mais de noventa gêmeos. A sociedade é organizada em castas, e os de uma casta não se misturam com os de outra. As pessoas são condicionadas desde cedo a amar a sua casta, a querer pertencer a ela e a não querer de jeito nenhum estar no lugar dos de uma classe superior ou inferior à sua, provavelmente para que não haja insatisfação e/ou briga pelo poder.

Nesse mundo não existem relações familiares. Muito menos relação de maternidade. Aliás, só em pensar em como as crianças eram concebidas no passado, as pessoas coram de vergonha... ou fazem piadas, dependendo do humor de cada um...

Como não existe relação familiar, logo não existem casais. O correto nesse mundo é a promiscuidade. É isso mesmo... se uma mulher sair com o mesmo homem todos os dias, ela está totalmente fora dos padrões da sociedade. O povo cai matando em cima. (E aqui eu lembrei do Mito da Caverna, de Platão - se tu ainda não leu, dá um click aí no link... vale muitoooo ser lido).

Mas voltando... nesse Mundo Novo, as crianças usam sexo como um brinquedo. As pessoas são condicionadas ao consumismo desde cedo (aliás, o condicionamento é usado pra tudo nesse mundo). Deus, o Supremo Criador do Universo, não existe. O deus deles é o capitalismo. Todas as evocações que eles fazem é por Ford (sim, Henry Ford, do fordismo - aquela linha de produção em massa). É... a sociedade tem modelo fordista e isso pode ser refletido na própria aparência física das pessoas.

Agora que estamos ambientados, podemos chegar à historinha, que gira em torno de um cara chamado Bernard.

Bernard pertencia à casta A, mas por um probleminha na sua produção, ele não se parecia com os demais de sua classe. Por isso, era rejeitado pelos seus. E já que era rejeitado, ele rejeitava também. Ele desprezava tudo o que que era inerente à sociedade: não era a favor da promiscuidade; não tomava o soma (soma era a droga deles - essa não tinha efeitos colaterais imediatos). Bernard tinha bem claro na mente que as pessoas eram induzidas a pensar da forma que pensavam e, com isso, ele criticava tudo e todos... atééé acontecer um fato (que eu não vou dizer qual é) que o faz bem aceito na sociedade, e aí ele começa a fazer tudo aquilo que antes recusava...

... E eu só digo que esse fato acontecido diz respeito a uma viagem que o Personagem fez para o Mundo Selvagem, que por algum motivo o autor decidiu que seria na América (entendi nadinha... rsrsrs... mas o autor é Inglês... rsrs). E esse mundo selvagem era mais ou menos igual ao de hoje - aqui o povo acredita em Deus, na monogamia e na concepção natural de crianças.

Mas à medida que lia o livro, eu ia pensando...

No meu entender, Aldous Huxley, esse gênio, tenta fazer, no Admirável Mundo Novo, uma paródia de nossa sociedade. Sim, porque aqui nesse mundo onde vivemos, nós também somos condicionados (por ouvirmos certas coisas, que nos são repetidas desde muito cedo - ainda que de forma diferente) a pensar de acordo com os preceitos estabelecidos pela sociedade. Independente do conceito de certo ou errado, todos querem que façamos exatamente igual ao que todo mundo faz... Porque já que todo mundo faz, tal atitude "é a mais correta"...

E nós repetimos como papagaios tudo o que nos é dito desde a infância, como se fosse verdade absoluta. E se a gente não faz o que todo mundo faz, somos tachados de malucos, diferentes, idiotas, burros, hereges... (ai, ai, Mito da Caverna...)

E isso ocorre na política, na igreja, na escola, no futebol, no trabalho, na blogosfera... Siiimmm, porque até hoje me lembro de um comentário que tive no meu blog dizendo que eu precisava definir um assunto específico pra falar (porque todo mundo faz isso)... Oraaaa!

Além disso, a mudança de Bernard (antes sem boa reputação com os demais e depois participando ativamente de tudo), me fez pensar que Aldous quis mostrar quanto nós, seres humanos, somos fúteis e nos vendemos por algo tão irrisório e passageiro quanto o... sucesso, por exemplo.

Pois então... (pausa para reflexão)

Mas, voltando ao negócio todo, devo pontuar que apesar de ter amado a mensagem que o livro passou, não gostei muito do seu final. Pra mim, pareceu que o autor já tava cansado daquilo tudo e resolveu terminar a obra de qualquer jeito... e o leitor que se lascasse...

#Prontofalei!

Agora vamos à Ficha Técnica...

Livro: Admirável Mundo Novo
Gênero: Distopia
Formato: Pocket
Autor: Aldous Huxley
Editora: Bolso
Número de Páginas: 312
Preço: R$ 24,90
Comprei na: Livraria Cultura
Estrelas: Apenas pelo final, não dou 5. Mas deixo registrado minhas 4,6 estrelinhas.

Pessoa, sério! Isso é muito sério! Se eu fosse tu não deixaria de ler esse livro. Ele parece estranho, mas se a gente conseguir apreender certas coisas, vamos tirar mensagens valiosíssimas acerca da sociedade... Muuuitoo recomendado!

Abraços e Beijos pra Tu!

Adna Maria.

4 comentários

  1. olha, tenho que falar que comigo tbm não ta rolando resenha de livro em video. Esqueço um monte de detalhes importantes :(
    nossa que resenha mais interessante. Eu tbm acho que nós pensamos do jeito que o "meio" nos influencia a pensar desde que nascemos. Não de caráter, mas de outro modo. Por ex: somos condicionados a pensar que a cesaria é melhor e em outros o parto normal. Outro ex: o japones, ouvi falar, comemora morte e chora nascimento. O meio influencia, nesse sentido. Fico confuso?! adorei mesmo a resenha, super diferente e bem coerente, sem spoilers.
    Eu fico triste qdo percebo isso em livros tbm, qdo o autor termina de quarquer jeito :(
    muito bom Adna. Bjs
    quatroestacoes.blog.br

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    1. Ficou confuso nada, Danny! Entendi o que tu quis dizer e concordo. Obrigadaaaa, Lindaaa!! Beijoosss!!

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  2. Enquanto eu lia tua resenha ia pensando exatamente que o livro no "mundo novo" não deixa de ser um reflexo do que estamos vivendo, onde as pessoas querem a todo pano te classificar, se teu blog tem esse nome faz só isso (uns verdadeiros chatos ao meu ver).

    E na vida segue o mesmo, tu tem 50 anos não pode mais usar isso ou aquilo... caramba, eu uso o que quero e to nem aí se tenho 50 ou 70, a vida é minha rsrsr ora pois ...

    É chato viver nesse mundo de iguais, gosto de pessoas que vivem a própria vida do jeito que pensam ser o certo, (claro sem prejudicar terceiros).

    Achei o livro super interessante, se não tomarmos cuidado é pra lá nesse "Admirável mundo novo" que vamos parar ...

    Maravilhosa resenha Adna, me deu até vontade de ler o livro ...

    Bjks
    My

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    1. Leia sim, Minda! Claro que livro é uma coisa muito pessoal, mas acho que você não se arrependeria!

      E concordo plenamente com você quando diz que contando que não prejudiquemos ninguém, o legal seria vivermos a nossa vida do jeito que bem entendêssemos... Mas parece que só esse fato (de vivermos como quisermos) já incomoda demais às pessoas... aiai... ser humano é coisinha complicada né?
      Beijooss, linda!!

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