SFC: O Último Trem de Hiroshima - Resenha!

O Último Trem de Hiroshima foi adquirido por mim às pressas, num sebo. Eu queria trocar alguns livros e, olhando o título, achei que poderia ser bem interessante conhecer mais sobre essa história que, ao meu ver, é ainda tão pouco divulgada por aí... Menos, ao menos, do que deveria ser.

Sinceramente, enquanto cada palavra dessas páginas desciam güela abaixo junto com um sentimento de surpresa e horror pela capacidade humana de chegar a extremos, eu pensava em qual seria o motivo pelo qual a história das bombas de Hiroshima e Nagasaki não foi tão vastamente difundida no mundo como o Holocausto Judeu, por exemplo, já que a crueldade foi a mesma.

Por vários momentos pensei que talvez os Estados Unidos tivessem se achado menos crueis do que a Alemanha, uma vez que, quando da detonação das bombas, não houve uma pessoalidade como no caso dos alemães. Enquanto estes últimos se mostravam friamente desumanos face to face, os EUA simplesmente sobrevoaram um território e jogaram uma bomba, sem querer saber muito quem eram as pessoas inocentes que estavam sendo para sempre vitimadas.

No final descobri que essa "falta de divulgação" não foi um mero acaso. E adivinha só quem censurou publicações sobre esse assunto? Pois é. Um tal Douglas MacArthur, comandante militar norte americano que regulamentou um tal de Comitê de 11 de Setembro de 1945 e impediu que a história vista e vivida pelos sobreviventes fosse tratada publicamente. Mesmo durante os anos seguintes, essas histórias raramente vieram a público... E eu acho que a gente tá vivendo essa censura (de forma mais moderna) até hoje.

Pois então, logo que comecei a ler esse livro, pensei que ele não seria bem o que eu tava esperando... Mas aí, no folhear das demais páginas, percebi que ele realmente não era igual... era melhor do que eu queria!
Ele não conta, simplesmente, uma história sob a visão de uma única pessoa que estaria num determinado trem... Ele conta a história do tenebroso dia a partir da perspectiva dos "sobreviventes" da bomba.


Vou dizer que ler esse livro me trouxe um sentimento de tristeza que até agora persiste. Ainda me vem lágrimas aos olhos quando penso em tudo o que aquele povo passou. Aconteceu em 06 de Agosto de 1945 às 8:15 da manhã em Hiroshima e às 11:02 h do dia 09 de Agosto do mesmo ano, em Nagasaki. 

Quando do lançamento, quem estava no que eles chamam de "hipocentro" da bomba foi imediatamente desintegrado, antes mesmo de sentir qualquer dor. Só sobrou o pó desses corpos impressos em paredes próximas. Os que estavam mais distantes do centro, e sobreviveram, tiveram peles desligadas do corpo como tecidos rasgados. Tiveram pés arrancados da tíbia. Tiveram corpos queimados. 70 mil mortos e 70 mil feridos, em Hiroshima e 40 mil mortos em Nagasaki.

Nesse dia, os sobreviventes viraram zumbis. Seres mais mortos do que vivos, com a pele se soltando do corpo, andando, em fila, mãos estendidas à frente do corpo, sem saber exatamente para onde iam. Com uma sede mais pungente do que as feridas do corpo.

E depois, em Urakami, perto de Nagasaki, a mãe fugiria da própria filha pequena porque esta "parecia um monstro" de tão detonada que estava. Pessoas-jacarés andavam sem pés... Quem sobreviveu, ou seja, quem não morreu no ato da detonação ou nas primeiras horas após, acabou não escapando de uma "doença X", adquirida pela radiação da bomba. No final, a grande maioria dos sobreviventes morreu de câncer, sendo acompanhados até o fim por uma culpa sem misericórdia que sentiam por terem sobrevivido, enquanto seus pais, filhos, maridos ou esposas tinham morrido. As bombas fissuraram corpos, mentes, corações e relacionamentos. Algumas pessoas simplesmente enlouqueceram. Vou confessar que por várias vezes pensei se esse não seria o Apocalipse. Fogo descendo do céu. Um sendo levado e o outro sendo deixado...

Abaixo segue um pequeno trecho, um dos mais suaves, sobre atitudes desesperadas tomadas por alguns sobreviventes. Acreditem, haviam trechos bem mais pesados do que esse no livro... Inclusive, alguns descreviam como pessoas, mortas antes de terem consciência de que tinham morrido, vomitavam a putrefação de seu organismo. Elas estavam sendo "comidas" internamente  pela radiação.


Esse livro é uma responsabilidade social. Todos deveriam ler. Hiroshima e Nagasaki jamais devem ser apagadas da consciência humana. 

A obra tem 386 páginas e o seu autor, Charles Pellegrino, escreveu também o best seller Titanic, usado como fonte para o próprio filme. A escrita é fácil, mas a revisão (da tradução) deixou passar alguns poucos atropelos gramaticais (coisa que não interfere no andamento da leitura).


Qual o sentido da guerra? Vale a pena matar milhares de pessoas inocentes em nome do poder?

Agora, pra quem se interessar mais, tem um documentário bem interessante no YouTube, chamado "Hiroshima, O Dia Seguinte". Este que segue:

Carpe Dien.

Adna Maria.

2 comentários

  1. Só de ler sua resenha já me senti triste!
    Não consigo entender como a sociedade, o mundo, podem ser tão crueis! É horrivel pensar no que aconteceu, e como tudo é tratado dessa maneira!
    As vezes me pergunto quando as pessoas irão abrir seus olhos!?
    Beijos e até!
    Sou do Blog:
    http://worldofmakebelieveblog.wordpress.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Amanda! Quando será que as pessoas vão abris os olhos para a paz? Para o amor? Obrigada pela visitinha, Linda! Volste sempre! Beijos!!

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...