SFC: E Édipo Rei, Hein?

Quem lembra do livro que me fez parar todas as outras leituras por 15 dias? Então, a obrigação literária partiu lá das bandas do teatro que tô fazendo. É que a tia nos mandou escolher uma peça grega para fazer uma espécie de crítica... 
Antes de mais nada devo dizer que foi ela que mandou a gente emitir nossa opinião... Então eu me senti super à vontade pra falar todas as besteiras do mundo. E, como hoje é a Sexta Cultural do Lendo o Dia, resolvi trazer esse meu besteirol exatamente aqui pra vocês... rsrsrs...

Então... A peça escolhida por mim foi Édipo Rei, de Sófocles. Édipo foi aquele cara desafortunado que teve os pés perfurados e foi abandonado ao nascer, assassinou o pai, casou com a mãe, furou o próprios olhos e foi-se embora pra Pasárgada... #ecáestoumisturandoashistórias... Pasárgada é o Paraíso de Manuel Bandeira, né mermo? Édipo foi pra Colono mesmo...

Só pra quem ainda não leu ficar um tantinho inteirado da história, o pai de Édipo resolveu abandoná-lo por ter sido amaldiçoado pelos deuses gregos... É que ele caiu em tentação... com um homem... É... Ele era o que hoje a gente chama de bissexual. 

Os deuses, então, disseram que o castigo de Laio, pai de Édipo e Rei de Tebas, seria a morte. Mas não qualquer moorte, nãããooo... Ele seria assassinado pelo próprio filho que, além de matar o próprio pai, casaria com a própria mãe... Pois é, pois é, pois éé...
Pra fugir dessa maldição, Laio fez esse negócio aí de perfurar os pés da criança, amarrá-la e mandá-la pra longe, pra morrer ao relento... #paidesnaturado! Eu tenho certeza que se tivesse negocinho de cheirar cola naqueles tempos, o menino cresceria um viciado! Só acho!

Então a gente já pode considerar Édipo como o típico cara que veio ao mundo pra sofrer, sabe qual? Porque mesmo acontecendo todas essas desventuras de recém-nascido, ele ainda foi salvo e criado como príncipe em outro país... Só pra ter que padecer ainda mais nessa vida... Sim, né, porque mais tarde, sem saber, acabou voltando pra sua terra natal, assassinando o pai e casando com a mãe.

Agora, realizadas as apresentações, eis a minha crítica:

Sem dúvida o drama de Édipo Rei, escrito por Sófocles por volta de 430 A.C, nos traz de forma evidente um retrato da condição humana. E é a partir dessa evidência que vamos fazer um comparativo do homem de antigamente, usando o próprio Édipo como modelo, e do homem de hoje em dia. Podemos notar que algumas coisas não mudam com o tempo... Elas apenas adquirem novo nome. Se não, vejamos:

Acusação sem solidariedade: Édipo, ao imaginar ser outra pessoa o assassino do Rei Laio, já que nem passava por sua cabeça ser ele próprio, vez que não tinha, aparentemente, ligação nenhuma com a vítima, amaldiçoa desmedidamente o suposto culpado. Hoje em dia, isso seria resumidamente colocado com o seguinte dito popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. É muito fácil propagar castigo duro à infração de outra pessoa. Difícil mesmo seria ele fazê-lo a si mesmo, se já se soubesse culpado. Notamos o seu arrependimento por ter “botado sem pena” no dos outros quando, nos versos 888 a 890 da peça, ele diz: “Infeliz de mim! Lancei contra mim mesmo, sem saber, as maldições pronunciadas hoje!”... E, depois, no verso 914, falando com Jocasta: “ Temo haver falado além da conta.”

Negação de própria culpa acusando outrem: Logo que se vê acusado, Édipo, para se defender, acusa outra pessoa de estar atentando contra ele. Hoje em dia isso é conhecido popularmente como: “tirar o seu da reta.”

Se achando no direito, por sua posição: À medida que acusa Creonte de tê-lo traído, Édipo, o Rei, se acha com mais direito de defesa do que o outro (versos 729 a 739), por sua posição de poder. Certamente Édipo também se achava o que hoje em dia denominamos de “a bala que matou Kennedy”. No caso da peça em questão, Kennedy poderia ser considerado a própria Esfinge de Tebas, figura vencida por Édipo quando teve seu enigma respondido.

Curiosidade inerente ao ser humano: Com certeza Édipo nunca ouviu falar no termo “a curiosidade matou o gato...”, ou não teria feito tanto questão de desvendar a todo custo o assassinato do Rei. Bem, acabou de fato se lascando por ser tão curioso, o pobre homem.

Depressão: E quando Édipo pensava que “nada mais pudesse lhe acontecer” quando descobriu quem era, de onde vinha, para onde ia, quem tinha matado e com quem tinha casado... Jocasta (sua mãe/esposa) se suicida! Aí notamos que o que Augusto Cury denomina como “O mal do Século”, já existia outrora. Talvez não conhecida, nem nominada, mas sua existência é evidenciada, sim, no suicídio de Jocasta e nos urros angustiados e exclamações infelizes de Édipo, após perfurar os próprios olhos para não mais enxergar a realidade.

"No fim sempre dá certo"... Ou não!: Provavelmente Fernando Sabino não conhecia "Édipo Rei" ao proferir essas palavras... Ou talvez Sófocles devesse se inteirar mais do otimismo de Fernando Sabino... Vai saber! O fato é que, pra Édipo, no fim, definitivamente, não deu certo... E ele virou Hippie... E não foi em Pasárgada!

Falo mais nada porque já falei demais!

Abraços, Beijos, Bom Final de Semana!

Adna Maria.

2 comentários

  1. Gostei demais de tudo que escreveu vou ver se acho o livro por aqui, lindo blog parabéns.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Patricia, tem disponível em pdf no google sim... Dá um conferida, que vale super!
      Bjos, obrigada pela visitinha e volte sempre por aqui!

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...